domingo, 27 de setembro de 2009

O Mundo em favelas

Por Yuri Sousa

Em 1940, 30% da população brasileira (aproximadamente 40 milhões de pessoas) vivia em cidades. Atualmente, já são 83% da população (aproximadamente 140 milhões de pessoas). Assim, 8 em cada 10 brasileiros vivem em núcleos urbanos. Em 2008, pela primeira vez na história humana, mais da metade da população mundial (3,3 bilhões de pessoas) passou a viver em cidades, conforme o relatório do Fundo de População da Organização das Nações Unidas.


Em 2030, o número de habitantes nas cidades deverá atingir 5 bilhões, aumentando ainda mais a tensão urbana, em especial nas metrópoles. A imagem do século XX, associada a arranha-céus e oportunidades de emprego, será, neste século, paulatinamente alterada para os cenários de pobreza, através do crescimento das favelas, onde já vivem a maioria dos habitantes das atuais megacidades e 78,2% das populações dos países pobres.

Junto com as favelas vem todo um conjunto de injustiças e crueldades, como miséria, desemprego, ausência de infra-estrutura urbana adequada, carência de saneamento ambiental, exposição a resíduos tóxicos, disseminação de doenças como o cólera e AIDS. Neste cenário que expõe pessoas a degradação humana e ambiental, a criminalidade torna-se inevitável.

Preocupados com o crescimento do “mundo em favelas” e suas consequências globais, os EUA investem em um novo exército preparado para combater, segundo um dos seus estrategistas, nas “cidades fracassadas e ferozes do Terceiro Mundo, principalmente em seus arredores favelados”. Para os americanos, seus mais novos inimigos serão os segmentos criminalizados dos pobres urbanos.

No Brasil, investe-se em condomínios com altos muros e exércitos privados, com o objetivo de proteger uma pequena parcela da população da realidade dos favelados.

Ilude-se quem acha que poderá proteger-se da violência, investindo em exércitos e em ilhas urbanas de riqueza, como as torres de escritórios de luxo e as fortificações dos condomínios fechados. Nossa única alternativa é investir na justiça e na solidariedade, através da inclusão social e ambiental dos moradores de favelas

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