terça-feira, 26 de março de 2013

Em defesa do direito do pobre sair candidato

Artigo para o Portal Estudante Ativista

Vejo muitos que reclamam dos que estão no poder, mas pouco (ou nada) fazem para mudar os nomes (caras ou sei lá) destas figuras que lá estão. E, muito menos, oferecem os seus nomes como alternativa.

Não podemos ter receio de entrar em uma disputa eleitoral. O medo da derrota (perda) é o maior dos absurdos, pois só perdemos aquilo que possuímos um dia, é obvio, não é? Os que já estão no poder ou aqueles que endividam-se gastando milhões em suas campanhas é que devem tê-lo. Aliás, outros deixam de candidatar-se porque não possuem dinheiro para investir, permitindo assim que apenas as pessoas “endinheiradas” exerçam um direito que é de todos nós.

As pessoas simples como eu e você também possuem o direito de chegar ao poder ou, pelo menos, AMBICIONÁ-LO através da participação direta nas eleições, apresentando suas propostas e a sua história de luta em favor dos menos favorecidos.

Talvez pareça que ao escrever este artigo esteja “legislando” em causa própria (longe de mim essa prática dos “poderosos”), pois já manifestei algumas vezes, inclusive publicamente, o meu desejo de uma candidatura à Assembleia Legislativa já no próximo ano (você ousaria me dizer que isto é um absurdo?), mas não. Com este artigo desejo sensibilizar os leitores (e eleitores) para que construamos em nosso país (assim como em nossos municípios e estado) um frente de candidatos populares, vindos das massas e que muitas vezes não se sentem no “direito” de candidatar-se acreditando que as suas condições financeiras não são favoráveis.

Aprendi muito nas eleições municipais de 2012 na qual tive a honra de ser candidato ao parlamento coroataense, onde naquela oportunidade consegui conquistar 133 votos (além do meu, é claro) sem lançar mão da artilharia dos caciques da política do meu município, sem sequer ter dinheiro para fazer um campanha ou mesmo confeccionar santinhos (instrumento básico em uma disputa eleitoral), mas ao fim da minha luta me considero um vitorioso, pois os vereadores elegeram-se com 550 a 1500 votos gastando milhares de reais (para não falar daqueles que gastaram até R$70.000,00 e não passaram de 30 votos).

Nesta minha primeira experiência ao vinte e seis anos de idade percebi que temos muitas pessoas sensíveis à candidaturas alternativas e populares, falta apenas que sejam provocadas. É claro que não ter dinheiro para realizar uma campanha limita muito o seu poder de alcance (como foi o meu caso), mas desperta nas pessoas a coragem para se sentirem capazes e esperançosas de chegarem ao poder ou ver um dos seus entre os vencedores.

Como já dito há algumas linhas acima, o direito a uma investidura na carreira política não deverá jamais ser o direito garantido apenas aqueles que detém de grande poder econômico, donos de grandes empreiteiras, fazendas, terras etc, etc, etc. Ou ainda aqueles que já nascem ou adquirem naturalmente este tal “direito”, seja por apadrinhamento ou por herança de tradição política (refiro-me aqui aos filhos daqueles já estiveram no poder por longos anos e que desejam manter este como o único negócio dos seus familiares).

O poder e os espaços de poder num regime democrático é de todos aqueles que se encontram sob o véu da Constituição, portanto também é um direito daquelas pessoas mais simples e, portanto, ninguém deve tirar delas este sonho ou trabalhar para limitá-lo.

Precisamos garantir a maior diversidade possível de representatividade no executivo e (principalmente) no legislativo. Não estou dizendo aqui, longe de mim, que não temos tido em alguns outros momentos candidaturas populares, mas tais fatos têm ocorrido de forma isolada. Desejo ver nas eleições estaduais do ano que se aproxima as mais diversas categorias representadas (estudantes, donas de casa, trabalhadores rurais, professores, vendedores ambulantes, outros) e não apenas aqueles que já estamos acostumados (advogados, fazendeiros, empresários, empreiteiros, herdeiros políticos, etc). Sei que não é fácil, pois muitas são as dificuldades para que estas pessoas sejam aceitas como candidatas, sendo que algumas delas se iniciam dentro do próprio partido, que insistem em oferecer suas vagas aos nomes já consagrados ou tradicionais (isto acontece mesmo naqueles ditos partidos socialistas, populares e esquerdistas).

É preciso que trabalhemos muito para quebrar estes paradigmas, mas nada é impossível para aqueles que sonham (e que tem costume de transformar seus sonhos em realidade).



PS: Este é meu primeiro artigo para o portal Estudante Ativista, o primeiro de muitos nos quais serão tratados assuntos de interesses da nossa militância.

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