segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A importância de fóruns da juventude para a organização juvenil

Por Rui Mesquita

Ao longo da década de 1990 muito tem se falado, realizado, conquistado e aprendido sobre o jovem, enquanto indivíduo e sujeito de direito. Um desses aprendizados, um dos mais importantes talvez, seja de que esse indivíduo faz parte de um todo maior, de uma coletividade, geralmente representada por grupos e organizações juvenis, formais ou informais, das mais diversas naturezas e atuações. Alguns trabalhando a própria temática juvenil, outros trabalhando uma série de outras temáticas condizentes a sociedade e ao mundo, ou ao espaço onde vivem, como um todo.

A esse conjunto de indivíduos, grupos e organizações juvenis damos o nome de movimento social juvenil. Esse movimento juvenil nem sempre se reconhece como tal, e nem sempre se une para trabalhar em conjunto, unindo forças, para transformar realidades, quer sejam da própria juventude, quer sejam da sociedade e do espaço onde vivem. Isso talvez se deva a vários fatores, um deles uma certa fragmentação interna no próprio movimento juvenil, que tem sido subdividido em outros movimentos que acabam ganhando mais expressão e voz do que o todo, como por exemplo, o movimento estudantil, as juventudes partidárias e as juventudes religiosas, dentre outras. Outro fator talvez seja a falta tanto de reconhecimento como de apoio ao fortalecimento do movimento juvenil como um todo, por parte tanto do estado como da sociedade civil.

Uma das formas mais bem sucedidas de unir o movimento social juvenil tem sido a criação fóruns onde a juventude pode estar se encontrando e debatendo sua agenda para com a própria juventude e para com o estado e a sociedade em geral. Mais bem sucedidas, pelo fato destes fóruns serem geralmente compostos e geridos pelo próprio movimento juvenil, o que os dá imprescindíveis legitimidade e enraizamento.Mas o que é um fórum da juventude afinal? A palavra fórum é originada do latim foru, que segundo o Dicionário Aurélio quer dizer: “1. Praça pública, na antiga Roma”, “2. Local para debates, ou reunião para o mesmo fim” e “3. Centro de múltiplas atividades”.

Por si só estas definições deixam bem claro o que vem a ser um fórum da juventude, um espaço múltiplo e público onde a juventude pode se reunir para discutir sobre diferentes assuntos através de debates temáticos, criação de agendas e pautas de discussão, articulação política, social, cultural e econômica, proposição e organização de atividades coletivas etc., sempre com um determinado fim. Tal fim pode está ligado tanto a questões internas da juventude, voltadas para o fortalecimento do próprio movimento e a garantia de direitos para o jovem, como para outras questões externas a juventude, referentes à sociedade e ao espaço onde vivem. Isso varia de fórum para fórum, de acordo com suas especificidades e história.

Os fóruns da juventude também podem se configurar de diferentes formatos. Alguns são compostos por indivíduos, outros por grupos e organizações juvenis e outros são mistos, sendo compostos tanto por indivíduos quanto por grupos e organizações juvenis. Alguns possuem abrangência local, no bairro ou no município, outros possuem abrangência micro-regional, estadual ou regional, enquanto outros têm abrangência nacional e até internacional. Uns têm a tendência de se institucionalizar como pessoa jurídica, já outros não. Uns contam com a participação de representantes do governo e da sociedade civil, enquanto outros são restritos somente para a participação do próprio movimento juvenil.Independentemente do formato os fóruns da juventude vêm sendo verdadeiros catalisadores da organização e fortalecimento do movimento juvenil, daí a sua grande importância. Vários locais do Brasil já possuem fóruns juvenis, dentre eles Recife, São Paulo e Uberlândia. Nestes locais é visível a mudança de postura do próprio movimento juvenil frente ao mundo e aos problemas enfrentados pela juventude, assim como também é visível um aumento da discussão, da proposição e do encaminhamento de políticas públicas para a juventude.

O Fórum das Juventudes de Recife, por exemplo, criado entre o final de 2001 e o início de 2002, vem amadurecendo a cada dia. Está em fase de finalização de uma pesquisa/diagnóstico da situação dos grupos juvenis do Recife, e já está até inspirando o surgimento de novos fóruns no interior de Pernambuco, como por exemplo, o Fórum da Juventude da cidade de Paulista, criado no segundo semestre de 2003, e o Fórum da Juventude da Bacia do Goitá, ainda em discussão nos municípios da micro-região da Bacia do Goitá, localizada entre Recife e Caruaru.

Também no final de 2003, em São Paulo capital, foi aprovado pela Câmara de Vereadores da cidade o primeiro Estatuto da Juventude do país, cuja proposta foi muito debatida e discutida pelo Fórum de Juventude de São Paulo.

Uberlândia, no Triângulo Mineiro, vem sendo cada vez mais uma referência para o Brasil no que tange a formulação de políticas públicas de juventude, em parte devido a forte atuação do seu fórum da juventude.Apesar do crescente número de fóruns da juventude no Brasil, eles ainda são poucos e ainda não se articulam entre si da forma que poderiam. Muito ainda precisa ser feito para se avançar neste novo campo, de apoio e fortalecimento da organização do movimento juvenil, como grande aposta da juventude organizada poder liderar processos de transformação social nos mais distintos campos da sociedade, da política e da economia.

Assim como a década de 1990 ficou marcada pelos avanços e conquistas no trabalho de apoio ao jovem enquanto indivíduo e sujeito de direito, essa primeira década do Século XXI tende vir a ser uma década marcada por avanços e conquistas no trabalho de apoio a juventude enquanto movimento social organizado, muito em parte devido à atuação protagonista e empreendedora de muitos jovens e grupos juvenis militantes e atuantes no movimento juvenil.

Rui Mesquita é Administrador, fundador e presidente da ONG Academia de Desenvolvimento Social
www.academiasocial.org.br - rui@academiasocial.org.br

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