quarta-feira, 29 de julho de 2009

UNE: 30 anos de reconstrução

O histórico Congresso de reconstrução da União Nacional dos Estudantes, em Salvador, no ano de 1979, marcou a retomada da organização da principal entidade representativa dos estudantes universitários no Brasil. Após o congresso da UNE em Ibiúna/SP, no ano de 1968, realizado na ilegalidade e desmontado pelas formas militares da ditadura, o movimento estudantil entra em um processo de refluxo, a partir das perseguições sangrentas do regime às lideranças estudantis e a qualquer forma de organização dos estudantes.

Dentro deste contexto histórico, tivemos grandes perdas para a nossa nação. Muitos quadros importantes que lutavam pelo fim do regime sucumbiram, entraram na luta armada, foram torturados, exilados, enquanto os generais comandavam um voraz processo de esvaziamento do pensamento crítico e contestador no nosso País.

Depois de 30 anos da reconstrução, a União Nacional dos Estudantes realiza o seu 51º Congresso, em Brasília. Um dos grandes símbolos da resistência estudantil, último presidente eleito da UNE antes da ilegalidade, o brasiliense Honestino Guimarães, recebeu neste congresso uma homenagem através de um monumento na UNB, que materializa definitivamente a importância deste grande líder na história do movimento estudantil. A cadeira vazia na abertura do Congresso de Salvador marcava a ausência do ex-presidente, assassinado pela ditadura e ainda hoje declarado desaparecido.

Pela primeira vez na história da entidade, os estudantes obtiveram a presença de um Presidente da nossa república no Congresso que é o fórum máximo de deliberação dos estudantes universitários brasileiros. Na presença de milhares de estudantes, o Presidente Lula traçou os avanços da sua gestão em relação à educação no nosso país, enfatizando particularmente o aumento de vagas no ensino superior e o acesso a universidade de alunos oriundos do PROUNI. Tive a oportunidade de participar do Congresso da UNE em Brasília, debatendo o tema Juventude, Saúde e Políticas Públicas, e percebi a grande importância que a União Nacional dos Estudantes ainda possui no processo organizativo e na discussão política dos estudantes brasileiros.

Em que pese todas as críticas que são pertinentes, de distanciamento da direção com a base dos estudantes, burocratização da entidade, limitação da luta política, aparelhamento de algumas forças políticas, a UNE demonstra vitalidade e capacidade de mobilização com a realização do 51º Congresso em Brasília. Apesar da grande dispersão dos estudantes presentes no Congresso, foi possível perceber a preocupação das lideranças estudantis em pautar a entidade através de discussões importantes que contribuam com o crescimento da UNE, aprofundando o debate da crise econômica mundial, da educação no nosso país e, acima de tudo, da organização e mobilização do movimento estudantil. Uma importante questão que polarizou o Congresso foi a discussão relativa ao método de escolha da diretoria da entidade. A tese das eleições diretas, com cada instituição de ensino superior participando do processo e elegendo em suas urnas nos estados seus legítimos representantes, infelizmente não saiu vitoriosa. Mais uma oportunidade que a União Nacional dos Estudantes perdeu para radicalizar na democracia em relação ao processo de eleição de sua diretoria.

Por fim, sinto-me reoxigenado depois de ter vivenciado os dias de debate do Congresso. Dez anos depois voltei a participar de um Congresso da UNE, não mais na condição de estudante/delegado, mas na condição de debatedor. Depois de ter escutado as palavras do Presidente Cubano Fidel Castro, no Congresso de 1999, ouvir o Presidente Lula neste congresso só referenda ainda mais a importância histórica da União Nacional dos Estudantes no processo de democratização do nosso país.

*Ubiratan Pereira é vereador pelo PSB em João Pessoa

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