quinta-feira, 30 de abril de 2009

Entrevista: David Barros, presidente do Conjuve

David Barros, presidente do Conjuve, fala das políticas públicas de juventudeA sociedade civil está de volta à Presidência do Conselho Nacional de Juventude. “Esta gestão pretende estabelecer um intenso diálogo com os movimentos de juventude”, declara o presidente David Barros. David é membro do Instituto de Juventude Contemporânea, IJC, trabalhando há 10 anos junto à juventude do Ceará. Além do IJC, o novo presidente atuou na Pastoral da Juventude e na Rede de Jovens do Nordeste. David acredita nos movimentos sociais como verdadeiras escolas de formação de lideranças e na sua significativa contribuição para o engajamento social de jovens. Vê a sociedade civil organizada com importante papel na qualificação da militância juvenil e concepção de projetos que desencadeiem políticas públicas. Na entrevista, ele analisa o papel do Conjuve, sua gestão anterior e fala sobre as políticas públicas no Brasil hoje.

1. Como você vê em relação à juventude hoje? Há políticas públicas para os(as) jovens? Como você as avalia o governo?
Vejo nos ultimo anos uma atenção maior com a realidade juvenil. É fato que nos últimos anos, as políticas de juventude entram na agenda pública no pais entre os entes da federação. No entanto percebo que ainda falta muito para chegarmos ao ideal. Nos estados e municípios as políticas ainda são bem embrionárias e em muitos casos não suportam as mudanças democráticas de gestão. Falta orçamento e prioridade por conta da gestão pública, além da pouca força política do tema dentro da sociedade que insisti em estereotipar a juventude enquanto problema. A partir daí vejo um avanço. O governo Brasileiro vem trabalhando para desconstruir este esteriótipo, colaborando para uma cultura de valorização da juventude e resgate da cidadania dos jovens empobrecidos.

2. Como você vê este momento em que a sociedade civil assume novamente a presidência do Conjuve? O que podemos esperar desta gestão?
Vejo que este momento é um momento de encerrar ciclos. Veja bem, desde 2005 estamos discutindo governo, parlamento e movimentos de juventude, os marcos legais da juventude brasileira, Plano Nacional de Juventude , PEC da juventude e estatuto dos direitos do jovens. Este documentos foram construídos com a participação importante da sociedade civil, mas atualmente precisam de uma atualização com os acúmulos construídos no Encontro Nacional de Juventude Negra, na Conferencia Nacional de Juventude, no Encontro Nacional de Conselhos de Juventude e outros espaços políticos da juventude brasileira que continua aperfeiçoando sua intervenção e avançando em suas bandeiras. Neste sentido, aprovar os marcos legais da juventude brasileira é um ciclo que precisar ser encerrado para que de fato, não só o governo Lula e os atuais governantes nos estados e municípios, mas o estado democrático e de direito, assumam os jovens enquanto sujeitos de direitos. Com isso entraremos numa outra fase da luta que é garantir o que estar na constituição e o que é lei. Teremos um instrumento importante de reivindicação, monitoramento e fiscalização das políticas públicas de juventude.Estamos encerrando também um ciclo de oito anos de governo Lula e precisamos avaliar os impactos e as políticas desenvolvidas para os jovens em nosso país. O conselho precisa se posicionar sobre as políticas do governo federal, evidenciar seus avanços, avaliar suas limitações e apresentar alternativas políticas para solucionar os problemas da juventude brasileira.Outro ponto importante é a própria mobilização permanente na sociedade civil. Construir uma plataforma nacional de juventude que reúna as forças políticas da juventude brasileira em torno de bandeiras consensuadas e que norteie a atuação do conselho nacional de juventude na sua função de controle social é necessário neste momento. É importante para acumularmos força política para vivenciar os próximos processos democráticos que virão.

3. Ano que vem terão início as inscrições para novos membros do conselho. Que mudanças você acredita necessárias nos critérios para que a participação de movimentos menos institucionalizados (por ex., jovens quilombolas, grupos culturais, jovens ribeirinhos etc) possa ser também contemplada?
Acredito que precisamos avaliar a partir da ultima assembléia os pontos que foram muito criticados pelos movimentos de juventude. O principal deles é o acesso a assembléia de eleição. Ir a Brasília tem um custo alto para os membros das organizações juvenis. Temos que criar mecanismos de garantir a participação dos jovens que tem vontade política de participar do conselho. Acredito que a falta de institucionalidade não deve ser uma restrição a participação dos movimentos.

4. Como você avalia a gestão anterior? Quais as principais conquistas e as principais dívidas?
Uma gestão que tem no seu curriculum uma Conferência Nacional de Juventude com a participação de mais de 400 mil jovens, um encontro de Conselhos de Juventude e uma campanha nacional para comprometer prefeitos e prefeitas com os direitos da juventude é uma gestão que fez história e serve de referencia pra quem chega. Foi muito importante pois deu ao conselho uma visibilidade na qual ele carecia. No entanto tivemos ainda problemas no que diz respeito a estrutura necessária para encaminhar as demandas do Conjuve, uma equipe que possa dar conseqüência as definições políticas do conselho se torna urgente nesse período.Outro ponto importante na minha avaliação diz respeito a questão internacional. O Brasil é um país de forte mobilização juvenil e um acumulo extraordinário no tema das políticas de juventude, no entanto participamos pouco dos espaços de intervenção internacional, devido as restrições colocadas pelor organismos internacionais. Devemos ter uma política mais agressiva no sentido de reivindicar a participação do Conjuve Brasileiro nos organismos internacionais de juventude enquanto sociedade civil.

5. O Conjuve vem obtendo sucesso em seu objetivo de caracterizar como espaço de diálogo entre a sociedade civil, o governo e a juventude? O que pode ser feito para que este diálogo seja agilizado e ampliado?
Acredito que sim. O conselho vem se consolidando como um espaço de interlocução entre o Tripé da política de juventude (Sociedade civil, Governo e Juventude). Acredito que devemos estar mais próximos da agenda dos movimentos de juventude dialogando com suas bandeiras, monitorando e garantindo a efetivação das prioridades da Conferência Nacional de Juventude e criando mecanismos de consulta, comunicação e dialogo para que as posições defendidas pelo Conjuve tenha o respaldo e a retaguarda do conjunto dos movimentos juvenis no Brasil o que lhe dar a força política necessária para mesmo sendo de caráter consultivo, tenha força política para ser uma voz forte em defesa dos direitos da juventude.

Fonte: blogrodrigoamaral.blogspot.com

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