domingo, 27 de setembro de 2009

Menos vagas para pobres que estudam

Ipea revela que os mais escolarizados engrossam as filas de desempregados Pochmann, do Ipea, aponta “fator QI” como dificultador para pobres As relações sociais entre ricos e pobres ainda expõem as desigualdades do país, que premia os mais abastados em detrimento dos trabalhadores de menor renda, independentemente da escolarização. “Ser pobre, nas regiões metropolitanas brasileiras, é estar praticamente desempregado”, constatou o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, que emenda: “É estranha a interpretação de que quanto maior a escolaridade (do trabalhador), maior é a chance de emprego, porque isso não ocorre com os mais pobres”.

O presidente do Ipea chegou à conclusão após analisar estudo do órgão que trata da desigualdade no desemprego no Brasil metropolitano, que mostrou, por exemplo, que o contingente de pobres que estudaram 11 anos ou mais em busca de emprego é 3,7 vezes maior que o dos pobres analfabetos, que têm, ironicamente, mais facilidade de colocação no mercado de trabalho.

“Há uma barreira, do ponto de vista da inserção, para trabalhadores pobres, apesar da escolaridade. É o chamado QI, ou quem indica. Isso não ocorre com os menos escolarizados, porque esses não dependem das relações sociais para conseguir emprego”, avalia. O estudo do Ipea chegou a uma outra constatação preocupante: não só os mais pobres escolarizados, mas também os não pobres que estudaram — pessoas com renda per capita familiar superior a meio salário mínimo (R$ 232,5) — têm engrossado as filas de desempregados. Em julho deste ano, o desemprego entre os não pobres mais escolarizados foi 2,4 vezes maior que o dos não pobres analfabetos.

A pesquisa também indica uma piora nas relações de emprego e estudo nos últimos anos, apesar da diminuição da pobreza e do aumento da massa salarial de rendimentos dos trabalhadores. Em sete anos, o desemprego entre os mais escolarizados ficou maior tanto para pobres quanto para os não pobres, na comparação com os trabalhadores sem estudo. Em julho de 2002, o contingente de trabalhadores pobres em busca de emprego e com escolarização era 1,7 vez maior que o dos pobres analfabetos, atingindo 26,2% da população desempregada. Agora, mostra o Ipea, atinge 34,5% do total.

No caso dos não pobres escolarizados, o desemprego até caiu, de 6,2% da população em julho de 2002, para 4,7% no sétimo mês de 2009. Entretanto, aumentou a proporção, de 1,8 para 2,4 vsezes, do contingente dos pobres mais escolarizados ante à taxa verificada entre os não pobres analfabetos.

Correio Brasiliense, citado no site do Partido Socialista Brasileiro (PSB)

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